segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poema sangrento




Quando ouve falar que no filme tal há uma cena de tal maneira difícil é comum que o espectador potencial dê as costas e saia do cinema sem nem mesmo haver entrado. Ou seja: sai-se com o típico “obrigado, mas esse filme aí eu não vou ver”. Foi exatamente essa a reação que tive ao ouvir falar de “172 Horas”. E se aconteceu comigo estou cheio de razão para dizer que é justamente este tipo de filme – este que tem uma cena célebre por difícil de ver, engolir e digerir – é exatamente o melhor filme, por tirar o cidadão acomodado na poltrona do conforto estético e artístico que vai lhe recobrinco a percepção com uma camada de cera de opacidade que só o diminui como apreciador do espetáculo do mundo e da vida.

A cena célebre de “172 Horas” todo mundo sabe. E se este não é o seu caso, já vou dizendo que este é aquele filme em que um garoto apreciador de escaladas radicais fica preso numa fenda de rocha e, para sobreviver, precisa cortar o próprio braço com um canivete cego. Sentiu?  Quer parar de ler por aqui? Pare, não. Faça como eu, enfrente o filme e você vai se surpreender.

“172 Horas”, embora não pareça, é (também) entretenimento puro, bem realizado, ágil, meio videoclip no que esta técnica tem de mais instigante, musical, ligeiramente rock and roll na maneira como encara o mundo, um pouco à margem na forma como cultiva seu personagem, um tanto ambíguo no jeito como empacota sua história, apenas sugerindo dados que, descritos em detalhes, poderiam turvar algo que funciona muito melhor assim, com suas imprecisões e impressões distantes.

Mas tem a cena do corte do braço, que você fica o tempo todo imaginando quando e como vai se dar. Acontece que o filme corre de tal maneira macio em sua aspereza geográfica, doce em sua humanidade juvenil, que quando a cena vem o espírito já está preparado. Ela não é nem rápida demais para parecer visualmente indolor, tampouco espetaculosa a ponto de atrair a morbidez das platéias dadas à banalização da violência. É uma cena, como dizer?, artística no que esta palavra tem de mais potente. É longa, sofrida, vivenciada em toda a sua violência estética, mas não ridícula ou gratuitamente traumática. Mas não vou lhe enganar: o uso apuradíssimo dos efeitos sonoras vai fazer você, espectador, sentir a pontada do corte de cada nervo enquanto o garoto se desfaz do braço preso à pedra.

Mas é preciso que seja assim: não há como negligenciar o ponto culminante de um filme que, ao lado de um ato violento inflingido contra a própria pessoa, coloca em cena fundas questões sobre solidão e multidão, natureza e sociedade como este faz usando belíssimos planos de cinema. Usando o entretenimento como matéria para um salto maior, desde que o público do lado de cá esteja disposto a este outro corte que também pode ser bem violento embora de outra espécie. “172 Horas” tem uma cena, como se diz?, chocante, mas, pode acreditar, é um poema visual de natureza pop-metafísica. Para apreciá-lo, portanto, certifique-se de não cortar fora sua percepção.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O filme dos meninos


No ar a primeira das inúmeras realizações da nova companhia cinematográfica com o selo Hamaca de qualidade: é o video "As aventuras de Bernardo e Cecília no país da infância", lançamento da Sopão do Tião Produções. Divirtam-se.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Planaltina, DF



















Um passeio pelo passado, presente, cotidiano e história da cidade que antecedeu Brasília no povoamento do Planalto Central brasileiro.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vidas Secas, o filme





Procurando cenas de "São Bernardo", o filme de Leon Hiszman, para ilustrar uma postagem do SOPÃO, encontrei essa jóia rara e inesperada: a íntegra do filme "Vidas Secas", outro clássico, este de Nelson Pereira dos Santos. É arrumar o tempo certo para dar toda atenção ao filme, clicar no play e assistir a esse que deve ser mais um quase-documentário sobre um brasil pretérito que explica muito do país atual.

A sabedoria do ator



Portas do conhecimento sertanejo sobre a vida e o homem se abrem cada vez que eu entro neste extenso, vivo, comovente e culturalmente inquieto depoimento do ator José Dumont que está no livro "o Cordel às Telas" (por Klwecius Henrique, série Aplauso-Perfil, ed. Imprensa Oficial, à venda na Livraria Cultura). Não dá pra esperar acabar a fruição dessa leitura pra trazer suas marcas aqui para a Hamaca. Vamos adiantando, com trechos do livro que saltam das páginas - aquele tipo de comentário que a gente queria ver exposto em out doors nas estradas e cidades do país. Com vocês, José Dumont:

Sobre Ariano Suassuna:

"Ele é um dos grandse homens da dinastia que o Brasil já perdeu. É um criador. Um organizador. Um amante da cultura brasileira, como foram Gilberto Freyre e Câmara Cascudo. Ariano faz parte desta cultura superpoderosa, da capacidade que se tinha no país, independente da época em que as peossoas existiam. A Paraíba tinha um potencial danado. Tantos grandes nomes surgiram lá. Basta lembrar José Lins do Rêgo, José Américo, Augusto dos Anjos. Zé Limeira e Zé da Luz. Perdemos essa cultura de valor, essa busca pelo grande saber, que veio do interesse pelo homem brasileiro."

Sobre o cinema de Renato Aragão:

"Se hoje um milhão de pessoas gostam de ver cinema brasileiro é porque essas pessoas passaram pelos filmes de Renato Aragão, Dedé, Mussum e Zacarias. Se tivéssemos feito mais teríamos mais gente hoje em dia. Então, a meninada podia ver 'Matrix', desde que primeiro dessa uma olhadinha na ciranda, nas nossas manifestações. Vi isso em 'Dois Filhos de Francisco' (de Breno Silveira), durante as filmagens no interior de Goiás. Um garoto, numa cavalhada daquela em Pirenópolis, onde há o personagem coletivo, o mascarado, ele não deixa de gostar da cidade nunca mais. Isso não é nostalgia, é ciência, é sabedoaia popular. Quem nasceu lá, nunca vai deixar de gostar. Pode participar de todos os videogames do mundo. Poder ver todos esses filmes 'Hellboys' da vida, ma será um apaixonado pela cultura brasileira."

Sobre o Nordeste atual:

"No Nordeste de hoje, totalmente subamericao, está faltando colocar chapéu de couro outra vez, sem criar xenofobia ao tomar essa atitude. Como na natureza, tudo sofre alteração. É só saber investir nas nossas riquezas, no nossos potenciais. Se vou à Paraíba, quero comum um goiamum, macaxeira e galinha caipira. Quero ouvir coco-de-roda, ciranda, ass tocadores de vila. Nâo precisa de nada de fora, não. Antonio Nóbrega e Luiz Carlos Vasconcelos têm um trabalho deslumbrante. Não perdem tempo copiando o Sul-Sudeste, como muita gente faz. E o Sul-Sudeste, por sua vez, copia os Estados Unidos."

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Música para imersão



Não é preciso ter conhecimento sobre pauta musical, elementos sinfônicos ou conceitos instrumentais para afundar na sonoridade que o video acima espalha no ar. Basta estar disponível para sentir a narrativa que a interpretação vai compondo, os avanços, recuos e oscilações da música, sem perder de vista a integração homem-instrumento, com um ouvido no som e um olho na empatia entre o músico e seu piano. Repare na concentração do instrumentista mas não deixe de estabelecer uma sintonia com o sentimento presente mesmo nos momentos em que a técnica pura parece mais superior ao conjunto da execução. Nelson Freire é o grande pianista brasileiro, mas o melhor de sua música pode estar no momento micro em que você se concentra a cada segundo da performance que o vídeo exibe, comemora e celebra.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Casa e Jadim, segundo Paul Auster



Existem bons filmes cuja estrutura narrativa lembra uma casa bem construída. Você passeia pelo jardim, entra pela porta da sala, recebe de cara aquele impacto de um ambiente aconchegante, passa pelo corredor, dá uma olhada nos quartos, sente o cheiro de comida saborosa na cozinha e depois senta numa cadeira ao lado de um copo de cerveja para apreciar as crianças brincando no quintal. Essa é a casa-filme tradicional, tipo começo-meio-e-fim. O cinemão americano, especialmente os clássicos da era dos grandes estúdios, forma um gigantesco conjunto habitacional de casas assim. É meio padronizado, sim, como todo conjunto habitacional - para atualizar, como todo condomínio da classe média atual. Mas também é diversão garantida com a dose de inteligência sem a qual qualquer casa vira abrigo contra a chuva e qualquer cinema é só ilusão de ótica para matar o tempo.

Mas existem também excelentes filmes que lembram casas bem planejadas, embora de maneira diversa. Você observa o jardim, entra pela porta, claro, e também percorre a casa toda até parar para a cerveja no quintal. A diferença é que não há apenas uma porta. São várias. Também não existe somente um corredor. São muitos. O número - e a posição - dos quartos também é mais flexível. Essa outra casa-filme não precisa ser uma mansão de ex-ministro derrubado por denúncia de corrupção: basta ser apenas diferente. De maneira que a impresssão que a casa deixará no visitante varia conforme a porta que ele escolheu - a frontal, a lateral, o portãozinho dos fundos, ou mesmo aquela janela sem grades que alguém marotamente resolveu pular só pra ver qual seria o resultado visual da aventura.

"O Mistério de Lulu",o mais recente filme do escritor Paul Auster, que com esse trabalho trocava a imagem escrita pela palavra filmada, é uma casa do tipo que descrevi no parágrafo imediatamente acima. Na primeira hora de exibição, você tentará percorrê-lo como quem explora uma casa tradicional. Lá pelo meio, o espectador percebe que há várias formas de entrar na história do músico de jazz às voltas com uma misteriosa pedra que emite um brilho azulado e ilumina os desvãos mais sombrios das pessoas. Por isso é possível assistir ao filme várias vezes, sempre observando - entrando nesta casa - sob uma perspectiva diferente - ou por meio de portas variadas. E, lá dentro, escolher itinerários diversos. É assim que se desvenda o mistério deste e de outros bons filmes.

(22-07-99)

Almoço na serra

Para quem vive no planalto, qualquer ligeira alteração no solo já ganha status de cordinheira. Tá bom, de serra. Pois então: saindo do terraplanado Plano Piloto rumo às escarpas quase andinas da região de Sobradinho, pegando a saída norte da capital federal, o asfalto rarefeito de Brasília joga a toalha de vez e dá lugar a um cenário tão ruraL quando as gravuras da primeira edição do Sítio do Pica Pau Amarelo. É ali que fica, entre muitos outros similtares, o restaurante rural Rancho Canabrava, um enclave tipicamente goiano-florestal plantado numa elevação pouco acima do nível cada vez mais reduzido da Esplanada dos Ministérios. O Canabrava é especialmente indicado para famílias com crianças, muitas crianças. Oferece, além de um bufê de comida regional, varandas onde você pode comer com calma (mas chegue cedo se quiser escolher uma mesa, porque logo fica lotado), passeios de charrete, arvorismo, passeio a cavalo para quem domina essa prática e até uma casinha de sítio em miniatura onde a meninada faz a festa e os pais gastam cada pixel da maquina fotográfica. Ah, sim, tem parquinho também, do tipo básicão, com troncos para escalar e balanços para oscilar. Apreciem nas fotos, em que a HAMACA está na companhia de Renato e Ana, Plácido e Manuela, e Cecília e Bernardo com nossa fiel escudeira Ivone. P.S: Repare que Bernardo, o assaltante de geladeira daqui de casa, foi direto ao seu alvo - não importa de fake ou de verdade.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nas brumas de Pirenópolis



Próxima e repetitiva, a viagem de feriado a Pirenópolis, este miniburgo de extração mineira e colonial resistente nas cercanias de Brasília, oferece sempre e a cada vez que se volta lá uma abordagem diversa – um calor novo, pra falar de acordo com as temperaturas da cidade. Não se engane: que Pirenópolis, como cidade pequena de crônicas cenas recorrentes do mundo rural brasileiro, tem guardada para cada visita uma paisagem de esquina, um causo de meio de rua, uma porta para aquele quintal interno que você há de ter guardado lá onde pernoitam as imagens da infância. É disso que trata essa sopalina incursão a Piri, pra combinar com o roteiro profissionalíssimo já disponível na tarimbada “Fragata Suprise” de Cyntia Campos (veja clicando aqui).


Nas brumas matinais do domingo que se inicia, Pirenópolis pode lhe derrubar da cama para uma excursão pelas ladeiras e lhe presentear com artigos como o “pão da Beth”, destaque da feira que se estica em barracas, lonas e caminhonetes ao longo da rua Prefeito Sizenando Veiga – aquela da Casa Melo, “o” supermercado de interior que também vale uma inspeção divertida. Entre trôpegos ecologistas embriagados que viraram a noite na balada da rua do lazer e encerram a jornada com pilhérias entre compradores e vendedores, a tenda da Beth é menos que isso: uma mesa improvisada onde se pode escolher entre pães artesanais de sabores não menos industriais. Saí de lá com dois, idênticos na aparência mas diversos na textura e no gosto – um integral padrão e outro de beterraba. Um deles foi de recordação da viagem para Cyntia e o segundo veio aqui para casa, onde já foi devidamente degustado, ingerido e digerido.

De pacote de pão nas mãos, descendo a ladeira principal no rumo da igreja para sepiar com minha sansung fotográfica a cara da cidade a acordar, vi-me ladeando um momento ímpar da vida numa cidade do interior, como muito bem sabe quem dela fez parte um dia. Era o momento da saída da missa matinal do domingo, missa das seis ou das sete – era o primeiro dia do horário de verão a confundir os tempos, as sensações e os relógios. A saída dos fiéis da missa, como bem sabe quem dele já fez parte, é aquele momento meio preguiçoso e meio exaustivo ao mesmo tempo. Porque o ritual da missa, bonito em si mas repetitivo quando se toma a freqüência como hábito, chega ao seu final com esse misto de espiritualidade renovada com um até-que-enfim mal represado.

Preenchido por essa mistura de sensações, ninguém deixa a missa da manhã de domingo aos tropeções: é uma saída mansa, algo etérea, quase em câmera lenta, como se as almas redesenhadas pela purgação ritualística dos pecados voltasse à vida normal com cuidado e calma, ciosa de não cometer novas infrações pelo menos nas primeiras horas da semana que se reinicia. Todo mundo sai um pouco santificado da missa matinal do domingo, quase da mesma maneira indecisa e trôpega como o bebum oficial da cidade deixa o último bar ao alvorecer do dia – e era isso que aquela visão mostrava. Um instante do tipo que não vai figurar jamais nos roteiros consagrados dos guias turísticos, da qualidade daquelas atrações que não tem preço, da modalidade de fruição que depende muito mais da disponibilidade do viajante do que da ansiedade do turista.

Com os pães nas mãos e a imagem do encerramento da missa na cabeça, resta ao curta-metragista involuntário da incipiente manhã de domingo retornar ao Pouso do Ralf, a estalagem rural plantada no centro urbano de Pirenópolis. Isolada da cidade por um muro verde de florações e antiguidades, com direito a roda de engenho e oratório no pátio, a pousada é a terceira e última parte deste falso roteiro sem trilhas e demais emoções desportivas que a cidade tomada por motos enlameadas no final de semana em que lá estivemos também tem.

O Pouso do Ralf, descobrimos enquanto ele nos hospeda, é um misto de pousada e local de culto, para o  moço que lhe dá nome. Morto há 12 anos aos 23 de idade, Ralf era esse personagem acabado das famílias bem-sucedidas no mundo rural do interior de botas e fivelas, capitão de cavalhada, filho único de heranças e destino de ouro traçado no berço. A narração pós-morte que a pousada faz daquele que lhe dá nome, ao exibir entre fotografias e outros apetrechos a roupa branca e brilhante que ele usava nas festas do Divino, é bastante para lhe envolver na história do mito – e nisso, claro, sempre se corre o risco de algum exagero.

Mas não seria exagero deparar com o, digamos, fantasma do Ralf autêntico na noite calma e silenciosa da pousada, tal o grau de culto de que ele é visivelmente objeto no local. O que não deixa de pentear o passeio todo com uma certa dose de mistério ainda mais interessante se você está, mais uma vez, em Pirenópolis, a cidade que sendo a atração mais próxima de Brasília é também, e felizmente, a mais fértil em se mostrar sempre interessante em cada novo causo cada vez que você está aqui.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Almoço na Pedreira













Da comilança do último sábado, no restaurante Pedreira, cercanias de Pirenópolis (GO), com Rejane, os meninos, Ivone e Cínthia.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sessão Hamaca de cinema



Hoje exibindo a deontologia da Força, no episódio IV de Star Wars, hit redescoberto aqui em casa pelos neo-fãs Bernardo e Cecília, recém-apresentados à fauna de Darth Vader, Obi-Oan Kenobi, Princesa Leia e sua turma. Até agora, já foram três exibições noturnas em DVD alugado. Grande é a expectativa pela estreia de "O Império Contra-Ataca". Para seguir com as outras partes, é só pegar a trilha do YouTube que nem Joãozinho e Maria seguindo as migalhas do pão.

COWBOYS, ALIENS E SUPER 8


A temporada cinematográfica trouxe recentemente nas suas ondas de mar revolto duas rememorações do cinema dos anos 80. Passou “Super 8”, em que o diretor da série “Lost” tentou incorporar o Spielberg primário e construir quase uma releitura de “E.T” misturando um grupo de garotos dos subúrbios californianos com um desastre espetacular de trem que libera uma presença extraterrestre perturbadora como foram as de outrora. Na outra frente, veio “Cowboys e Aliens”, produzido pelo próprio Spiel, mesclando os clichês dos dois gêneros, num feliz e divertido embate entre raios devastadores e cavalgadas poeirentas.

Os dois, se você não viu e está aguardando o lançamento em DVD ou Blue Ray, não se anime, ficam nisso mesmo: a brincadeira com os padrões dos gêneros – o filme de ET, o filme de cowboy, o filme de menino assustado, um pouco de western spaghetti, um tanto de cinema catástrofe. Não há maiores transcendências, mas as piadas – muitas meramente visuais, o que as torna ainda melhores – garantem a diversão e abastecem o baú da nostalgia. Uma dessas piadas – só pode ser piada, só dá pra classificar assim – é aquele gancho de engenhoca gigante com que as naves agressoras de “Cowboys e Aliens” pescam, literalmente pescam, suas vítimas para a abdução. Aquilo deve ser o raio laser adaptado aos tempos do velho oeste. E este filme ainda tem Paul Dano, o jovem ator em combustão de “Sangue Negro” - veja no clip abaixo - e ainda o mudinho ultra-expressivo de “Pequena Miss Sunshine”, como um bad boy adolescente mimadão, quase uma ponta que esse ator consegue fazer destacar num panorama tão ligeiro como é esse dessa quase paródia.



É verdade que há momentos em que a paródia evolui para uma citação um grau acima do filme original que ele relembra: a referência aqui é ao desempenho do menino obrigado a apunhalar as entranhas melecosas de uma das criaturas extraterrenas – um momento puramente Steven Spielberg. Em tudo aquele menino lembra o infante Christian Bale nas cenas de “O Império do Sol”, vivendo aquele garoto perdido na rebelião da guerra, de repente desprovido do conforto da vida britânica que levava em Hong Kong. No limite do cinema-pavor-com-entretenimento, evoca a garotada perseguida pelos dinos no “Jurassic Park”.

Quem vence, “Cowboys e Aliens” ou “Super 8”? Como este não é aquele assunto do qual dependem os rumos da humanidade, vamos convencionar tucanamente que quem vence é a diversão sem compromisso do espectador. E também lembrar que os dois filmes são um excelente pretexto para reunir pais e filhos em idade certa na apreciação de um tipo de diversão que, embora tenha deixado suas marcas, já não habita mais a tela do cinema como antes. É como o relançamento em Blue Ray da série completa “Guerra nas Estrelas”: alugando ainda em DVD o primeiro episódio lançado, “Uma Nova Esperança”, mostrei pra meus filhos de 6 e 4 anos que foram imediatamente fisgados. Agora, pra eles, é como se Darth Vader tivesse nascido junto ontem. E foi só o Episódio IV. Pena que eles ainda não tem idade para ver “Cowboys e Aliens” nem “Super 8” – mas, quando tiverem, vai ser uma nova descoberta por sobre essas redescobertas que a tecnologia do entretenimento vem nos proporcionando.


*Esta postagem é um pequeno campo minado de links para os itens citados. Clique neles e vá se multimidiando após a leitura integral.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Verdade



O Cine Hamaca aproveita a longa noite de criação da Comissão da Verdade no Plenário da Câmara dos Deputados para recomendar o filme acima. É "Sombras do Passado (Red Dust)", uma viagem às emoções represadas que vêm à tona na África do Sul com a instalação da Comissão da Verdade ao final do regime do apartheid. A lógica da comissão do país africano é singular e das mais propícias ao esclarecimento dos mecanismos que aquele sistema opressivo punha para funcionar: a anistia para o torturador só vem se ele realmente disser, em verdade, por mais dolorosa que seja, o que se passou nos porões onde os negros eram torturados. O filme está disponível em DVD, basta fuçar bem as prateleiras das locadoras, que hoje naturalmente vem se tornando um lugar onde histórias com essa carga dramática não ganha lugar de maior destaque.

Garoto Radical



O Garoto Radical daqui de casa dá de dez a zero no Ben dez. É o único da turma da escola que sabe fazer cambalhota de costas. No café da manhã, traça uma tijela de purê de batata. No DVD, aderiu de cabeça à turma do Toy Story. Chama o cowboy Woody de "caibói", mas ainda acerta a pronúncia assobiada do Buzz.

O Garoto Radical daqui de casa faz pose de temido pra fotografia e sabe bater fotografia sem que ela saia tremida. Gosta de navegar nos desenhos do YouTube e quando a gente vê está vendo Pato Donald em chinês. Tem fixação em parquinho de shopping e nunca usa a palavra "amanhã" - é sempre "depois desse dia?".

O Garoto Radical daqui de casa manda na irmã, coitada, mas admite que, mesmo brigado, não consegue mesmo ficar muito tempo longe dela. E vice-versa. Adormece sempre na rede - e mais tarde é transferido para a cama. E detesta o sol na janela assim que acorda. "Não gosto de sol", brada o pequeno punk, enquanto vai abrindo os olhos para um dos muitos e muitos novos dias que o esperam.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Barrados no Forte














Perdemos a hora, remanchamos na caminhada sentindo a brisa, eram férias de uma semana, ninguém tinha pressa, nem uma alma pra dizer "havia", e o resultado é que chegamos tarde demais à porta do Forte dos Reis Magos na última temporada em Natal. Mas valeu o deslocamento, o processo, o mero ir pra lá. Outra vez a gente entra e complementa o interiço do passeio. Tem tempo.

Postagem em destaque

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Começar o ano lendo um Alex Nascimento, justamente chamado "Um beijo e tchau". Isso é bom; isso é ruim? Isso é o que é - e tcha...