quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O melhor do mundo

Havia prometido a Bernardo trazer no final de semana umas figurinhas do álbum que ele está montando. No meio da semana, depois do Kumon, fomos à banca mas as figurinhas, como se dizia no tempo em que quase tudo era muito mais escasso, estavam em falta. Alguma coisa hoje em dia ainda pode "estar em falta"? Pois as figurinhas do álbum do Meu malvado favorito estavam em falta na quarta-feira nas duas bancas que procuramos, aqui entre as comerciais e residenciais do Sudoeste/Cruzeiro. 

No início da noite de sábado, depois de dar um plantão no hospital pra baixar uma pressão alterada certamente pelos efeitos da seca de Brasília, dei uma incerta numa banca do caminho para casa e as figurinhas tinham chegado. Comprei cinco pacotes para Bernardo e cinco para Cecília - assim eles trocam as "duplicatas", outra palavra que o tempo recolheu ao dicionário mas a volta dos álbuns de figurinhas bem pode trazer de volta à boca dos pequenos e dos adultos saudosistas dos suas próprias infâncias, que felizmente não são poucos. 

Aqui é que está a história: no momento em que, entrando em casa, entreguei os pacotinhos de figurinhas a Bernardo. Ele, em pé mesmo como estava pulando no sofá, abriu os braços e num arroubo que não é muito apropriado de sua pessoa, declarou em altos brados:

- Você lembrou? Você é o melhor pai do mundo!

Já fui criança, já fui filho pequeno e também já colecionei álbum de figurinha o bastante para saber que grande parte dessa declaração está comprometida pela alegria de receber um presente inesperado - ainda que vagamente prometido no decorrer da semana. 

Mas também sou pai o bastante para ter ficado comovido, a ponto de cometer aqui a inconfidência que um Bernardo futuramente adulto talvez até venha a repreender. Acontece que o arroubo do meu filho, cem por cento genuíno ou não, causou aquela espécie de comoção que a gente não consegue segurar, embora disfarce bem no momento em que se dá. 

O fato de as figurinhas terem chegado e de Bernardo tê-las finalmente em mãos, por intermédio de minha pessoa, pode ter comprometido a sinceridade da declaração do meu garoto. Mas o ímpeto e a energia autêntica com que ele botou pra fora aquela frase, externando de imediato seu contentamento em forma de título a mim concedido foi, naquele instante, bom demais. 

Diante do pequeno discurso de agradecimento, só posso responder com seu equivalente tão sincero quanto, dizendo em alto e bom som que Bernardo e Cecília - que expressa seu sentimento de maneira diversa mas não menos intensa - são os melhores filhos do mundo. 

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