Aqui em casa temos uma dupla de arquitetos de vento, engenheiros de panos e pedreiros e mestres de obras de cabos de vassoura. É com esse material, mais uma vaquinha de madeira e guarda-chuva infantil que os profissioais da construção Bernardo e Cecília Medeiros constroem cabanas modulares na sala de casa. Na foto, um making off do trabalho deles, que, fiquei sabendo, também acontece em outros lares, como o de Quitéria Kelly e Charlote. Vê-se sem esforço a estrutura prestes a receber a cobertura de amianto de edredon.
conexões entre amigos, livros, filmes, discos, memórias, férias, viagens, natal e brasília
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Arquitetura de pano
Aqui em casa temos uma dupla de arquitetos de vento, engenheiros de panos e pedreiros e mestres de obras de cabos de vassoura. É com esse material, mais uma vaquinha de madeira e guarda-chuva infantil que os profissioais da construção Bernardo e Cecília Medeiros constroem cabanas modulares na sala de casa. Na foto, um making off do trabalho deles, que, fiquei sabendo, também acontece em outros lares, como o de Quitéria Kelly e Charlote. Vê-se sem esforço a estrutura prestes a receber a cobertura de amianto de edredon.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
O primeiro boletim
Saiu o primeiro boletim escolar de Cecília. Para a humanidade não representa nada, mas para a família e os amigos é um documento histórico que precisa ser publicado aqui. Segue:
Língua Portuguesa - 94
Educação Artística - 90
Matemática - 94
Ciências - 86
Geografia - 94
História - 94
Educação Física - 100
Ensino Religioso - 100
L.E.M. Inglês - 100
Filosoria - 95
É isso aí: ao contrário do que parece, a humanide progride, sim. Eu jamais tirei um 100 em Educação Física, essa (in)disciplina que não me inspira grande simpatia. E no entanto Cecília já estreia com um notão desses. Falar nisso, fui comentar sobre boletim com ela e acabei encontrando alguns dos meus, da 5a. 6a. 7a. e 8a. séries. Só notas medianas, não ficava na recuperação mas também não dava show não. Era aprovação na linha dágua. Cada nota desastrosa em Matemática e Francês que era um terror. E eu que pensava que tinha sido bom aluno - ou que pensava que aluno bom é o da nota boa. Como disse a Cecília, aqui estou. E ela, completando: "É. Virou chefe, né?" Será que estou incentivando a menina a tirar notas baixas?
quinta-feira, 10 de março de 2011
Subprodutos da antifolia

Não foi um anticarnaval planejado como estratégia abertamente hostil a qualquer forma de folia. Mas se o tivesse sido, quanta exatidão. Dos restos noturnos da sexta-feira até os vestígios matinais da quarta-feira de cinzas, conseguimos a proeza – quem mora ou conhece a rotina de Brasília vai me entender melhor – de não viajar e, mais que isso, praticamente não sair de casa. Temporada doméstica, reclusão domiciliar absoluta, abraços em chinelos, afagos em livros, pé no tapete, braço no sofá, DVD a postos e uma espionada no janelão para contemplar a cidade dormitando.
Houve tempo suficiente para maratonas não programadas de filmes, sala de clássicas e novas imagens. Um doc ligeiro sobre Van Gogh by Biography Channel no miniDVD que se faz de livro quando usado na horizontal da cama; rever as imagens e a dramaturgia contida de “Merry Christmas, Mr. Lawrence”, com a performance marcante de David Bowie, Ryuichi Sakamoto e Tom Conti, soldados à frente de uma tropa de atores-espadachins em cena. Rever também, após décadas, o chiclete primordial de Ridley Scott que sempre será o primeiro “Alien”. E olhar de novo, ainda e mais uma vez, as dissimulações evolutivas daquele que talvez ainda acabe sendo considerado o melhor filme de Woody Allen, “Match Point” (no que ficará pau a pau com “Crimes e pecados”, outro registro pra lá de amargo do cineasta). Até o “Incrível Hulk” dançou frevo aqui em casa nesses quatro dias, graças ao valioso acervo da Loc Video da 104 Sul, aquele tesouro de nostalgia exposta como os nervos da saudade.
Ouviu-se música, e como. E não foi só em CD, mas em LPs negros como a musa da canção que Gal Costa entre nós batizou. Negros amores jamais relançados em formato digital. Como o “Bazar Brasileiro” que Moraes Moreira despejou no mercado do disco ali no comecinho dos anos 80, empacotando futuros clássicos como “Meninas do Brasil”, “Forro do ABC”, “Pessoal do alô”, “Tapioca de Olinda” e, a preferida entre as preferidas da nova ouvinte Cecília, “Grito de Guerra” – uma festa de tambores indígenas mesclada com marcha carnavalesca que abre o disco e nunca foi justamente reconhecida na extensão máxima de sua qualidade. É aquela que diz: “E vem comer, caruru e acará/ e vem beber, marili e aluá...”
Grito de guerra” não existe em CD. Nem na mais oportunista e muito menos na mais caprichada das coletâneas. Moreira não a gravou no Acústico que fez para a MTV. O mesmo se pode dizer do imortal “Cinco Sentidos” de Alceu Valença, LP lançado um pouquinho depois e desde então, após o sucesso habitual, sumido para sempre das lojas de discos que porventura ainda restaram. É aquele disco que traz na capa um Alceu cabeludão mascando uma flor amarela. Grande, imenso, abarcante disco que eu tenho aqui em casa graças às minhas buscas incansáveis e viciantes à (que não feche nunca) Musical Center, loja de velhas pérolas sonoras em formatos variados que funciona na comercial da 215 Norte. Estão nos “Cinco Sentidos” de Alceu, além da faixa título, entre outras: “Quando eu olho para o mar”, “Cabelo no pente” (esta ainda se acha, isolada e triste, em coletâneas), “Fé na perua” e “Arreio de Prata”. Quer mais? “Porto da saudade” (Faz tanto tempo, tempo é rua Soledade / leio a saudade quando escrevo solidão”).
Nos momentos em que houve folia, bateu aquela vontade de voltar correndo pra casa. Mas a gente acredita, compra créditos e se liga enquanto dá. Assim é que saímos para ver o Galinho de Brasília onde ano passado tanto nos divertimos na companhia de Carlos Magno, Rosa, Pedro e Luís. Desta vez, sem um bloco assim de conformação amigável e familiar, estava menos euforizante. Ou talvez porque a sintonia este ano fosse outra mesmo, ou ainda porque o canto da orquestra do Galinho a cada ano fica mais impotente diante da multidão de desgarrados brasilienses que ele tem por obrigação, coitado, arrastar. De qualquer maneira, ainda se saracoteou um bocadinho entre o Carpe Diem e a não-esquina mais próxima.
Na terça, aproveitamos o fato de agora sermos vizinhança e nos desabamos rumo ao Terraço Shopping, aqui mesmo no Sudoeste, para o precocemente tradicional baile infantil que, mal foi criado, virou um deus nos acuda de tanta gente, tanto menino, tamanha arruaça infanto e juvenil. E era, antes do baile, um mar de carros navegando à deriva sobre gramados comumente proibidos aos seres de quatro pneus. Espantados, constatamos que meia Brasília agora fica aqui no Carnaval e corre para o baile infantil do Terraço como ocidentais perdidos no deserto do Saara acossados pelos bombardeios de Kadafi na vizinha Líbia. Mas, novamente, saracoteou-se entre chuvas torrenciais de confete e disparos certeiros de espuma branca. E quando bateu a vontade de voltar pra casa, foi um pulo só, muito condizente com o espírito geral da folia domesticada pelos feitores do conforto de repente tão prezado. Feriadão à parte, deve ser coisa da idade.

De maneira que o tempo foi passando, o quadriculado desenho do feriado se consumindo e aqui estamos nós, às voltas com a modorrenta tarefa de reconstruir a rotina de trabalho, mas certamente menos cansados e mais arejados do que quando no período ingressamos. Parece que, para chegar a tal resultado, o fundamental mesmo foi aquele não planejar nada, não procurar o que seja, não marcar compromisso. Ficar em casa é um religião. Pacifica o mundo, rumoreja as atribulações. Não se trata de fundamentalismo contra os males da rua que, sabe-se, é alimento certo quanto a ocasião pede outro cardápio, mas tem seu antiapelo calado e certeiro. Ainda que lá fora, mesmo em Brasília, seja de fato carnaval.
A Hamaca Multimídia facilita sua vida:
Para ouvir Moraes cantando "Grito de guerra", clique aqui.
Para ouvir Alceu cantando "Quando olho para o mar" clique aqui.
Para assistir ao trailler de "Merry Christmas Mr. Lawrence" clique aqui.
Para ler mais sobre Ridley Scott na Wikipedia, clique aqui.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Trabalho de casa
A escolinha da garagem funcionou durante algumas semanas na casa em que a gente morou até pouco tempo. Era uma instituição de ensino informal, criada para ocupar os meninos quando eles perderam esse privilégio de poucos, tanto para pais quanto para filhos, que é a figura da babá. Era uma maneira de ocupar e divertir as crianças com atividades caseiras mas educativas. Coisa de pintar, colar, ir ao quadro improvisado na parede.
Aconteceu que quem mais acabou aprendendo com a escolinha da garagem fomos nós, os adultos. Nossa lição de casa foi ver que a ausência de babá proporcionava uma aproximação maior com os meninos. E foi assim que o paredão da garagem da casa - que, com novo dono, está sendo toda reformada, de maneira que as fotos acima permanecerão como um relicário daquele tempo tão próximo e já tão distante - foi aos poucos se enchendo de papéis, trabalhos e desenhos.
Fechou a escolinha da garagem, naturalmente, porque não temos mais garagem. Mas não só por isso: por um validação igualmente natural do prazo daquela experiência. Ela se extinguiu à medida em que a rotina dos meninos ia ganhando outra feição, agora já assimilada à ausência de babá. Eles cresceram, nós também. Ficaram as imagens, instantâneos de um período difícil, mas proveitoso que eles, quando adultos, poderão ter a chance de revisitar em fotos, para aprender outra lição - a da necessidade de se enxergar tudo e todos como algo impermanente, ainda que com duração além do previsto e do imaginado.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Bernardo brincando de Deus
Nem só de "suco de fumaça" vive meu filho Bernardo, na sabedoria astuta dos seus 3 anos de idade, a se completarem agora em maio.
Hoje ele saiu-se com mais duas daquelas conversas que antigamente a gente classificava genericamente como "criança diz cada uma".
Primeiro, estava chovendo forte e Bernardo não gostou nada de ver o cavalinho de madeira que ele ganhou da tia Sandra tomar uns chuviscos na varanda. Não teve dúvidas em avaliar o tamanho dos seus poderes e gritou lá pra fora, a plenos pulmões:
-Pára, chuva!
Logo depois disso, pra distrair tanto ele quanto Cecília, sugeri que a gente voltasse a montar o que chamo de "cinema da garagem": colocar o mini-DVD numa mesinha e as cadeirinhas deles na frente pra assistirem a algum filme, aproveitando que o carro estava fora.
Proposta aprovada, mas Bernardo arrumou outra de suas típicas confusões. Eram umas onze da manhã mas ele insistia em "desligar" a luz da garagem, que é bem iluminada por causa da porta envidraçada.
Vocês entenderam, não é? Sim, Bernardo queria apagar a luz do dia, porque, dizia ele, cinema é no escuro.
Tirou o dia para brincar de Deus, nosso bravo e trabalhoso Bernardo.
Hoje ele saiu-se com mais duas daquelas conversas que antigamente a gente classificava genericamente como "criança diz cada uma".
Primeiro, estava chovendo forte e Bernardo não gostou nada de ver o cavalinho de madeira que ele ganhou da tia Sandra tomar uns chuviscos na varanda. Não teve dúvidas em avaliar o tamanho dos seus poderes e gritou lá pra fora, a plenos pulmões:
-Pára, chuva!
Logo depois disso, pra distrair tanto ele quanto Cecília, sugeri que a gente voltasse a montar o que chamo de "cinema da garagem": colocar o mini-DVD numa mesinha e as cadeirinhas deles na frente pra assistirem a algum filme, aproveitando que o carro estava fora.
Proposta aprovada, mas Bernardo arrumou outra de suas típicas confusões. Eram umas onze da manhã mas ele insistia em "desligar" a luz da garagem, que é bem iluminada por causa da porta envidraçada.
Vocês entenderam, não é? Sim, Bernardo queria apagar a luz do dia, porque, dizia ele, cinema é no escuro.
Tirou o dia para brincar de Deus, nosso bravo e trabalhoso Bernardo.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Volta às aulas
Esta semana, recomeçaram as aulas da aluna Cecília. E do aluno Bernardo também. Mas, no caso da aluna Cecília, a volta às aulas teve mais novidades. Em primeiro lugar, a sala dela agora fica no primeiro andar da escola. Sim, senhor, Cecília foi promovida, não só ao Jardim II da da Escola Sagrada Família - Menino Deus, mas também arquitetonicamente falando. Agora, ela estuda juntinho das turmas das "meninas grandes" (que é como apelidei as garotas maiores da escola, pra estimular nossa diligente aluna lá de casa a apreciar ainda mais o meio escolar).
Primeiro dia de aulas, aquela muvuca na escola toda. A Sagrada Família - Menino Deus é uma escola pequena, adminstrada por "freiras pobres" como eu digo, para evitar que se pense logo em coisa magalômana de muros e capelas suntuosas. Carradas de pais ansiosos deixando os filhos, aquele papo pra checar a professora, aquela despedida morrendo de medo que o garoto ou a garota cisme de querer voltar para casa. Aquele clima todo que quem tem filho pequeno ainda nos primeiros anos de escola deve conhecer bem.
Cecília, além de promovida ao primeiro andar, além de agora estudar parede e meia com as turmas das "meninas grandes", ainda ganhou outra auspiciosa novidade: a nova sala tem carteiras. Sim, senhor, car-tei-ras (será a divisão silábica está certa ou terei de voltar aos bancos escolares?). Isso é uma quebra de paradigma e tanto, um ponto de virada daqueles na vida escolar de nossa pequena aluna que ainda nem fez seus 5 anos. Uma evolução na escala da vida escolar pela qual você que me lê agora certamente também já passou, embora tenha esquecido do momento e da imensa importância dele. Porque uma coisa são aquelas mesinhas de maternal onde os quase bebês tatibitaram com os colegas e as professoras enquanto amassam massinhas cognitivas de várias cores. Outra, bem diferente, é ter sua própria carteira, enfileirada à frente, atrás ou entre as outras, naquele formato clássico de sala de aula que mira no professor, o deus da sabedoria absoluta, à sua frente. E ainda tem, para coroar tudo, o quadro. Ah, o quadro! O quadro, meus amigos, é como a representação escolar da vida. Toda atenção para o que vai escrito, rabiscado ou desenhado nele.
E Cecília, toda animada com as novidades, já reparou nos impactos dessas mudanças. Disse que gostou muito das "carteiras" (e pela maneira como pronuncia a palavra, gostou também da experiência de conhecer e colocar em prática uma palavra nova). O quadro veio em seguida, quando perguntamos como foi a primeira e a segunda aula, naquele interrogatório imbecil que todo pai e mãe insiste em fazer aos seus pequenos que acabaram de voltar às aulas. Pois bem, Cecília, depois de muita insistência, contou que a atividade do dia era "tirar do quadro" tal ou qual coisa - um desenho, pelo que entendi. Cecília, minha gente, com cinco anos incompletos, já "tira do quadro" uns desenhos. Não sei se fiquei mais orgulhoso ou mais bestificado diante da informação.
Contou ainda que, no primeiro dia, rolou um questionário de apresentação na sala - claro que esse "rolou" e esse "questionário de apresentação" aí são palavras minhas, não dela. A professora nova pediu que cada aluno dissesse o nome e coisas de que gosta e de que não gosta. Cecília relatou, depois de eu muito insistir em querer saber o que ela respondeu, que disse gostar de "festa" e "chocolate" - agora sim, a transcrição entre aspas é original. Quando às coisas de que não gosta, citou "guerra" e "bater nos outros". Achei bonitinho, mas desconfio de que "guerra", uma palavra que, ao que me consta, ainda não faz parte do vocabulário de Cecília, ela pode ter copiado de outros colegas. Mas já é alguma coisa, não é?
Primeiro dia de aulas, aquela muvuca na escola toda. A Sagrada Família - Menino Deus é uma escola pequena, adminstrada por "freiras pobres" como eu digo, para evitar que se pense logo em coisa magalômana de muros e capelas suntuosas. Carradas de pais ansiosos deixando os filhos, aquele papo pra checar a professora, aquela despedida morrendo de medo que o garoto ou a garota cisme de querer voltar para casa. Aquele clima todo que quem tem filho pequeno ainda nos primeiros anos de escola deve conhecer bem.
Cecília, além de promovida ao primeiro andar, além de agora estudar parede e meia com as turmas das "meninas grandes", ainda ganhou outra auspiciosa novidade: a nova sala tem carteiras. Sim, senhor, car-tei-ras (será a divisão silábica está certa ou terei de voltar aos bancos escolares?). Isso é uma quebra de paradigma e tanto, um ponto de virada daqueles na vida escolar de nossa pequena aluna que ainda nem fez seus 5 anos. Uma evolução na escala da vida escolar pela qual você que me lê agora certamente também já passou, embora tenha esquecido do momento e da imensa importância dele. Porque uma coisa são aquelas mesinhas de maternal onde os quase bebês tatibitaram com os colegas e as professoras enquanto amassam massinhas cognitivas de várias cores. Outra, bem diferente, é ter sua própria carteira, enfileirada à frente, atrás ou entre as outras, naquele formato clássico de sala de aula que mira no professor, o deus da sabedoria absoluta, à sua frente. E ainda tem, para coroar tudo, o quadro. Ah, o quadro! O quadro, meus amigos, é como a representação escolar da vida. Toda atenção para o que vai escrito, rabiscado ou desenhado nele.
E Cecília, toda animada com as novidades, já reparou nos impactos dessas mudanças. Disse que gostou muito das "carteiras" (e pela maneira como pronuncia a palavra, gostou também da experiência de conhecer e colocar em prática uma palavra nova). O quadro veio em seguida, quando perguntamos como foi a primeira e a segunda aula, naquele interrogatório imbecil que todo pai e mãe insiste em fazer aos seus pequenos que acabaram de voltar às aulas. Pois bem, Cecília, depois de muita insistência, contou que a atividade do dia era "tirar do quadro" tal ou qual coisa - um desenho, pelo que entendi. Cecília, minha gente, com cinco anos incompletos, já "tira do quadro" uns desenhos. Não sei se fiquei mais orgulhoso ou mais bestificado diante da informação.
Contou ainda que, no primeiro dia, rolou um questionário de apresentação na sala - claro que esse "rolou" e esse "questionário de apresentação" aí são palavras minhas, não dela. A professora nova pediu que cada aluno dissesse o nome e coisas de que gosta e de que não gosta. Cecília relatou, depois de eu muito insistir em querer saber o que ela respondeu, que disse gostar de "festa" e "chocolate" - agora sim, a transcrição entre aspas é original. Quando às coisas de que não gosta, citou "guerra" e "bater nos outros". Achei bonitinho, mas desconfio de que "guerra", uma palavra que, ao que me consta, ainda não faz parte do vocabulário de Cecília, ela pode ter copiado de outros colegas. Mas já é alguma coisa, não é?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Fale bernardês
Para bem dominar o "bernardês", é preciso ser fluente em certas expressões que nosso herói acrescentou ao léxico do português normal. Seguem um dicionário mínimo para os interessados:
GALATIXA - é largatixa (e não perca tempo tentando ensinar, só sai ga-la-tixa mesmo)
QUISSO - é "que é isso?"
CÁVÊ - é "quero ver"
SUCO DE CÔCO - é "água de côco" mesmo
GALATIXA - é largatixa (e não perca tempo tentando ensinar, só sai ga-la-tixa mesmo)
QUISSO - é "que é isso?"
CÁVÊ - é "quero ver"
SUCO DE CÔCO - é "água de côco" mesmo
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
19 dias, 2 livros, muitos filmes
Pensando bem, o que são 19 dias num calendário que se compõe de 365 manhãs, tardes e noites, espraiado por 12 meses, tingido por estação seca e estação chuvosa, adornado por festejos como o São João, a Páscoa e o carnaval, demarcado, no caso específico deste 2010, por uma eleição presidencial e uma copa do mundo de futebol? Nada, nadinha, parece. Mas é bom poder dizer que, mesmo com as férias da garotada e a procura incansável por atividades recreativas no turno matutino, o que inclui visitas a parques variados em dias alternados, este início de 2010 já me trouxe uns bons dividendos sapienciais depositados no bisaco das ilustrações que a gente proporciona à gente mesmo. Pois bem, são 19 dias e 44 anos redondos exatamente hoje, dois livros lidos, pouco mais de meia dúzia de filmes - uns vistos, outros revistos; uns em casa e dois (dois! viva!) no cinema -, parques revisitados e até um dia na cachoeira de Itiquira, em Formosa, Góiás. Enfim, um panorama renovado tanto quanto possível neste ano que começa salpicado pela dor de tantas desgraças. Não é pouco, e pode ser muito mais do que o bastante. Vamos a uma síntese deste almanaque inaugural.
Começando pelos livros, venci a flora de artigos que compõe a segunda parte daquele "Cinema Brasileiro - Propostas para uma história", em que Jean-Claude Bernardet nos contraria inteligentemente com uma visão que eu, ignorante de boa cepa, ainda não havia encarado sobre o cinema feito no Brasil. A postagem anterior desta Hamaca já anunciava (leia aqui) o objeto do livro e a forma como ele lembra que o domínio estrangeiro, e sobretudo ele, foi o grande empecilho à afirmação de uma mui desejada indústria do cinema no Brasil. É isso o que consta na reedição do ensaio original de Bernardet, mas os artigos que foram adicionado a esta nova edição de bolso reforçam cada um dos argumentos que o estudioso do cinema vinha martelando na primeira parte.
É saboroso ler Jean-Claude mostrando como um filme como "Terra em Transe" foi, incoscientemente ou não, mal compreendido pela classe média intelectual e esclarecida do Brasil urbano dos anos 60, quando dizia, esta dita classe ilustrada, que o filme de Glauber Rocha era muito bom mas, pena, inacessível para as massas, o povo, o público ou outra palavra similar (aliás, Jean-Claude faz questão de distinguir "povo" de "público", o que é outro achado contido no livro). O crítico de cinema lembra, a tempo, que o filme se dirigia exatamente a este público esclarecido de classe média, público elitizado, ideologizado, mas cego à restrita influência que exercia sobre o conjunto dos brasileiros, o povo propriamente dito. É como se Glauber atirasse uma pedra à esquerda sabidinha da época e essa esquerda de carpete olhasse para o lado, fingindo que a pedrada não era para ela, mas para o povo que infelizmente não tinha refinamento suficiente para entendê-lo. (a propósito: veja trechos do filme na barra de vídeo, na coluna à direita)
Mas o fato é que, no calorinho que vai chegando, na noite calma do Lago Norte, na rede da varanda e depois do fervilhado sonoro que é a algazarra dos meninos no passeio anterior à leitura, a viagem por esse guia é um refresco de caju. Uma bela rememoração da cidade, uma palestra histórica tão superficial quanto arejada sobre o passado da cidade de Jerônimo de Albuquerque, um passeio virtual pela terra onde morreu o revoltoso André de Albuquerque - e até uma visita curiosa aos domínios de seus personagens mais delirantes, com Severina, a imperatriz do Brasil.
No DVD, um filme a que há tempos queria assistir. É aquele "Frost/Nixon" que deveria ser um manual de procedimentos sobre a verdadeira opinião pública que todo político inteligente deveria carregar debaixo do braço, para consulta sempre que possível. "Frost/Nixon" merece uma postagem à parte no "Sopão", mas teria que constar aqui como o melhor deste ano que se inicia, com o atraso regulamentar que vai se tornando uma marca deste espectador. Fora ele, ainda consegui ver neste espaço de 19 dias os seguintes filmes - uns novos, outros, em releitura de matar saudades:
"Barravento" (Glauber Rocha),
"Esse milhão é meu" (Carlos Manga),
"Paris, Texas" (Wim Wenders),
"Cidade de Deus" (Fernando Meirelles e Katia Lund)
"Impacto Fulminante" (Clint Eastwood)
"O homem que copiava" (Jorge Furtado)
"Antes do Amanhecer" (Richard Linklater)
"Lisbela e o Prisioneiro" (Guel Arraes)
"P.S, Eu te amo" (Richard LaGravanese)
"Separações" (Domingos de Oliveira)
No cinema, além de "Lula, o filho do Brasil", produto da marca Barretão digirido pelo filho Fábio, que ocupou a primeira tarde do ano e sobre o qual já não há mais nem o que dizer (se quiser saber mais, clique aqui), ainda tive o privilégio de uma sessão noturna, num domingão, no cinema do Deck Norte, a um passo de casa, onde vi "Amantes", oportunidade para descobrir James Grey, diretor cujos filmes ainda não haviam passado pela minha retina. E uma novidade é sempre bom (resta agora, encarar os outros filmes do cara, como aquele "Os donos da noite" à venda nas Americanas).
E pra fechar a lista, os parques urbanos, para onde se leva as crianças, onde se comete uma caminhada e se pratica alguma leitura enquanto Cecília e Bernardo se penduram onde não deviam mas também de onde não se consegue bem tirar uma criança. Com a diligente colaboração de Ivone, a nova general que nos ajuda a tomar conta dos pimpolhos, sempre é possível uma digressão à sombra das árvores fartas do parque Olhos d'Água, no final da Asa Norte, ou do Parque da Cidade, na área central, ou até na cachoeira de Itiquira, destino desse domingo passado, paisagem para um dia inteiro, em passeio que traz de volta, no leito da estrada, a visão de Pirenópolis, Goiás Velho e Caldas Novas, nossos refúgios quando a rotina do trabalho faz esquecer que o ano já vai longe. O que, por enquanto, ainda demora um pouco, no caminhar destes primeiros e bons 19 dias.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Do aluno Bernardo
"De acordo com as observações realizadas ao longo do ano em atividades coordenadas pela professora ou em momentos de exercicio de autonomia, pode-se verificar que Bernardo é uma criança meiga, carinhosa, sensível e assídua. É uma criança tímida. Tem bom relacionamento com colegas e professoras.
Na área social, demonstra gostar muito de brincadeiras coletivas, aceitando envolver-se com diferentes grupos respeitosamente. Conhece as regras do convívio escolar e não apresenta dificulades em cumprí-las. É uma criança que está em desenvolvimento na questão da divisão dos brinquedos; sente-se seguro em grupo; brinca e realiza atividades de rotina com tranquilidade; sente prazer em estar na escola; respeita os limites nas atividades propostas; quando contrariado por algum motivo recorre à professora.
Com relação ao processo de aquisição sistemática da escrita e de acordo com os estudos de psicogênese encontra-se no nível da garatuja. O aluno participa com interesse do Laboratório de Informática.
Com relação ao aspecto emocional, é uma criança calma; sensível e bem humorada.
No aspecto motor, corre e anda com facilidade; demonstra habilidades motoras próprias a sua idade; gosta de dançar; às vezes apresenta destreza em segurar e manipular objetos maiores; demonstra habilidade em movimentar-se livremente; explora com facilidade os espaços escolares; está no processo de descobrir as partes de seu corpo; demonstra facilidade nas brincadeiras que envolvem brinquedos no parquinho.
Com respeito ao aspecto cognitivo, tem interesse e prazer em ouvir histórias e cantar; participa das atividades diversificadas; atende ordens verbais; cumpre as tarefas solicitadas; demonstra curiosidade por livros. Expressa bem sua fala demonstrando clareza naquilo que lhe interessa.
Bernardo concluiu o ano com bom rendimento."
É o que diz o Relatório Individual de Acompanhamento Anual feito pela professora do nosso herói, Simone Gomes Borges, da Escola Sagrada Família - Menino Deus. O documento, pela importância, merece ser transcrito na íntegra aqui na Hamaca de todos nós, pais, tios, avós e amigos. Mas tenho que dizer que minha parte preferida é o terceiro parágrafo, naquela parte que fala na "garatuja". Também fiquei especialmente feliz com o parágrafo seguinte, pelos motivos óbvios - como o de afirmar que nosso garoto é "bem humorado", o que contraria a fama precoce que ele já começa a alimentar, e que parece ter herdado do pai, coitado. Portanto: não é verdade, dizem as professoras.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Um ano de casa nova (2)

Nenhuma casa existe solta no espaço - é preciso localizar, e junto com a localização vem suas circunstâncias urbanas. Feito isso, a casa - nova, velha, reformada ou o que seja - ganha sua narrativa. Toda habitação digna tem sua biografia - e no caso das casas, geralmente são histórias bem mais ricas do que aquelas que podem ser lidas nas paredes dos apartamentos. Para manter o paralelo, a gente pode dizer que apartamentos são como contos - mudam muito mais de dono, portanto comportam histórias breves, embora intensas. Já as casas são como romances. Algumas, verdadeiros Flaubert de portas e janelas: guardam, mudas, capítulos e mais capítulos de extensa e vasta prosa sobre famílias que ali nasceram, se reproduziram, se espalharam, brigaram, amaram, sofreram, comemoraram. Nós aqui mesmo, na nossa casa "nova", já tivemos, no final do ano passado, o maior festão com a família toda e convidados - no total, só os que dormiram aqui, eram umas 15 pessoas muito queridas. E a gente tinha acabado de chegar.
Por isso, é preciso ter uma reverência maior diante de uma casa. No caso desta aqui, a biografia começa em 1982, quando ela começou a ser construída. Parece que levou um tempo para ficar pronta. Foi residência de um empresário do setor de listas telefônicas nos tempos em que o Lago Norte, que é onde a casa fica, ainda era algo bem incipiente. O bairro nem tinha este nome - era a "Península". Depois, teve outros moradores, um dos quais, que aqui viveu por dez anos, foi um sujeito simpaticão, seu Danilo, um corretor de imóveis que viria a ser, anos depois, justamente aquele que nos vendeu a casa. O último dono era um jornalista piauiense que morreu alguns anos atrás, bastante conhecido entre a comunidade da imprensa brasiliense mais antiga - Abdias Silva, um cara que deixou Teresina para tentar a vida em Porto Alegre depois de mandar um carta pedindo emprego a ninguém menos do que Érico Veríssimo (e conseguiu o emprego, e eu avisei que casas têm histórias, sim, senhor!). Por último, morava aqui uma funcionária do Senado e sua mãe, o que garantiu que, mesmo antiga de mais de vinte anos, a casa ainda estivesse em boas condições, à prova de goteiras e outras surpresas que costumam preocupar novos habitantes.
Um pouco de antropologia urbana, pra encerrar: a casa fica no Lago Norte, mas destoa um pouco do padrão do bairro, que é habitado por famílias ricas e grandes em casas de dois andares (só temos um) com seis carros nas garagens (idem). Reafirmo o que disse no Sopão na semana em que mudamos: os vizinhos são gentis, é comum de sermos cumprimentados na rua (o que não acontecia na Asa Norte e é bem agradável). E há uma articulada rede de serviços e produtos que só existe aqui (no Lago Sul também, imagino), como as levas de piscineiros, batalhões de jardineiros (temos seu Zé Carlos, que atende à rua toda e é uma gentileza em forma de mineiro), e caminhões que vendem mudas de plantas as mais diversas (sempre com a placa "produzindo", ou seja, dando frutos), ou vendedores que armam minibarracas na avenida principal oferecendo caqui, ou então os mil e um anúncios de cachorro perdido - e até cachorro "achado", acredite, já vi vários -, sem falar no oferecimento do serviço de limpeza de pedras (muito comum e também necessário, não despreze). Onde mais tem esse tipo de coisa?
Tudo isso - os antigos moradores, os serviços oferecidos na avenida aqui perto, o ar agradável, embora meio deserto, da rua - são aspectos que dão sentido, identidade e um charme peculiar à nossa casa "nova". Como, de resto, deve acontecer com toda casa, toda habitação - basta a gente tirar o olho um pouco da gente mesmo e observar em volta, especular um pouco. Agindo assim, situamos a casa e a nós mesmos, pense bem. E fazemos da moradia alguma coisa a mais do que uma simples circunstância da vida, o que pode dar um pouco mais de sentido às nossas existências às vezes tão marcadas pelas mazelas do mundo.
P.S: Se você ficou curioso e quer saber um pouco mais sobre este pedaço do país e do mundo, sintone, via internet, a Rádio Península FM, no endereço http://www.peninsulafm.com.br/. (o link será o primeiro incluído entre os indicados da Hamaca, na lista ao lado)
Um ano de casa nova (1)

No último dia 2 de novembro, completou-se um ano da nossa mudança para o que ainda posso chamar de "casa nova". Pois é como se fosse ontem, porque, descubro diariamente mesmo decorridos doze meses da mudança, todo dia é como se estivesse chegando agora carregado de caixas de livros, pilhas de CDs, apetrechos eletro-visual-sonoros e demais itens que compõem uma casa - e que são, os tais demais, a gente sabe, completamente supérfluos, como geladeira, fogão e mesa de almoçar e jantar. Pois é, como dizia, como se agorinha mesmo o caminhão de mudança tivesse dado ré e batido em retirada. Como se os gatos ainda estivessem farejando o novo ambiente - e eles se cansam de farejar? Como se a noite de hoje - e digo isso pouquinho antes de ir dormir - ainda fosse a primeira que vou passar no novo endereço.
Que bom, você deve estar pensando. É mesmo - mas temo quebrar um pouco sua expectativa. Essa sensação novinha em folha de que não se passaram 365 dias desde que aqui chegamos não se deve uma saudável disposição de minha parte de fazer do meu dia na casa "nova" um eterno recomeçar, como dizem títulos de filmes melosos ou de boleros tristes. O que acontece, de verdade - e temo que isso também lhe deixe aflito, meu caro e solitário leitor, que isso seja um dos inúmeros males de nossa época - é o fato de que, no somar e no subtrair das horas, como diria um tango suicida, percebo que passo muito menos tempo dentro desta dita casa "nova" do que pretendiam meus iludidos planos de quando para aqui me mudei. Pessoal, na boa: a gente vive ou não vive na rua? Me repondam. Não digo "na rua" no sentido lúdico-democrático, que é aquele "estar na rua" participando da vida coletiva, das comemorações e dos encontros com os quais se faz a vida em comunidade. A rua em questão é outra, bem menos convidativa - é o cenário dos compromissos formais, do trabalho atrasado, do trânsito ansioso. Pois bem: a gente vive é na rua. E a casa "nova", com sua demanda adicional (tarefas como consertos, compras inerentes à nova forma de moradia, distância maior, acesso mais difícil) vai fazendo com que a gente, pouco a pouco, a habite cada vez menos.
Na postagem anterior, falei aqui dos caprichos dos livros clássicos. Pois também vivo às voltas com os caprichos da casa "nova" (e um deles, certamente, são essas aspas que me fustigam o texto). Em resumo: no apartamento onde morava, com demandas a menos, parecia que eu parava mais quieto sob o teto menor, mas menos exigente. Aqui, na casa "nova" (não tem jeito, não consigo me livrar das aspas), tenho uma moradia que me acomoda melhor, com uma varanda generosa, um oitão que é dez pra se ler de manhã, uma garagem que não me obriga a ter perícia de Fórmula Um para estacionar o carro, um quintal que refresca pelo menos a visão, mas nem sempre posso aproveitar disso com a mesma frequencia e intensidade que a antiga moradia, sem me fornecer nenhum desses luxos, entretando me proporcionava.
Estou chorando em vão? Talvez, mas sobretudo estou constatando uma realidade que não é só minha: puxa vida - ou "que lástima", como diria o emburrado Dr. Smith perdido na imensidão do espaço - a gente vive mesmo é na rua. Ainda assim, na base da vã teimosia, posso encerrar esse balanço de um ano de casa "nova" pelo menos com uma listinha assim cabisbaixa dos meus recantos preferidos, esses que resistem bravamente aos compromissos e me seguram em casa de vez em quando: a rede da garagem, onde já passei boas horas em companhia de seu Kafka, seu Salinger e outros velhotes mais; a sombra da ameixeira esquisita (ninguém identifica de pronto a espécie, e um ano depois também há quem diga que é um pé de nêspera) no quintal; e o já referido mini-oitão onde passei vastas manhãs andando pelos buracos colombianos com o então jovem e promissor Gabriel García Marquez décadas antes da fama. Parece muito? É impressão. A casa é boa, gente, e o potencial ocioso que existe na relação custo-benefício entre eu, morador, e ela, meu abrigo, tem espaço para muito mais. Quem sabe no dia em que eu finalmente conseguir expulsar aquelas tais aspas, e a casa deixe de ser enfim algo novo, como um vinho que precisa ser envelhecido muito além de uma dezena de meses, a gente possa então coabitar um pouco mais?
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