segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Café, almoço e janta com Bernardo Medeiros



Este climinha bom de Natal Citi está amolecendo a noção de tempo/refeições do pequeno Bernardo. Assim que acorda e é instado a, antes de qualquer coisa, escovar os dentes, o menino alerta:

- Mas eu ainda não tomei o café da manhã (com ênfase na expressão completa "o café da manhã", tratado por ele como instituição alimentar de absoluta importância).

Daqui a pouco, entre um alarido e outro, lá vem Bernardo de novo perguntando ao primeiro que aparecer na sua frente:

- A "janta" tá pronta?

A tal janta em questão, naturalmente, é o almoço - e a gente, claro, explica pela milionésima vez a escala de horários das refeições ao menino que perdeu completamente o fuso horário dos pratos nossos de cada dia.

Corta para um  início de noite no Habbibs do Praia Shopping, em tomada alisada pelo ventinho do portal de Ponta Negra. Estou com Cecília e Bernardo quando encontro Rosa e Pedro Andrade.

Mãe e filho pedem um lanche de esfirras e outras finuras arabescas e abrimos a conversa. Bernardo dá um tempo no parquinho que frequenta desde que mal conseguia entrar naqueles túneis de plástico. Diante do prato de acepipes pedidos por Rosa e Pedrinho, lasca:

- De quem é esse almoço?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Luzes de Natal


Como não posso voltar para BSB Citi levando na bagagem um luar sobre Natal Citi, ou mesmo uma noite comum da capital de Poti que, sendo apenas normal já é um espetáculo calmo de luz, calor e brisa, encontrei a alternativa de levar um livro que traz tudo isso. É "Luzes da Cidade - Natal", mais um volume de belas fotografias do equatoriano-brazuca Fernando Chiriboga que passará a habitar minhas estantes forçosamente cada vez mais seletivas não por soberba intelectual mas por absoluta falta de espaço mesmo. O texto abaixo, muito bom de fora-a-fora (exceto quando insiste em destacar o "provincianismo" de Natal, esse lugar comum não infiel à verdadeira alma da cidade), foi publicado no Diário de Natal quando do lançamento do livro, em 2009. Leitura amena para situar a cidade, o fotógrafo, suas imagens e este meu souvenir de Poti.



A CIDADE EM TRAJES DE GALA

por Sérgio Vilar

Natal esconde segredos. Seja no silêncio das dunas do Tirol, na calmaria complacente do Rio Potengi, na melancolia parnasiana da Redinha, na arquitetura de Petrópolis, nos chãos de pedra da Cidade Alta, no cheiro de saudade da Ribeira... Sim, toda cidade tem uma alma; um espírito entranhado no coletivo de seus habitantes e recantos. É esse coletivo o motorista da locomotiva do tempo. Captar a atmosfera da cidade é exercício contínuo. E para poucos. Mais fácil ao forasteiro atento a cada silhueta das esquinas. E quando o céu adormece, a cidade se acende.em luzes, como uma sentinela da vida.


O fotógrafo Fernando Chiriboga percebe os trejeitos da Natal provinciana desde 1985. Nasceu e viveu nos Andes equatorianos. Se formou em designer gráfico e artista plástico. De uns tempos pra cá procura retratar a alma da cidade pelas lentes da máquina fotográfica. No livro Natal - Luzes da Cidade - com lançamento às 19h de hoje, na Siciliano do Midway - Chiriboga retrata a noite dacidade, amanhecências, instantes em que Natal parece dormir. São ângulos inusitados, imagens panorâmicas de uma cidade aparentemente desconhecida, como a revelação de segredos embutidos na atmosfera lírica de Natal.

São pontos turísticos, sim. Mas também pontos esquecidos, detalhes menosprezados e que contam pedaços da história da cidade. O galo fincado na torre da Igreja Santo Antônio aparece como amigo da solidão da noite; o vitral da fachada da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação parece mais alegre após a redescoberta e o diálogo com as lentes do fotógrafo. A Natal de luz parece menos alegre sob o manto do anoitecer ou da aurora. Se derrama em melancolia e belezas tristes, singulares. A Fortaleza dos Reis Magos parece desnudada sob novos olhares. E o velho relógio da Junqueira Aires ainda marca as últimas horas de Cascudo e os casarões de paredes emboloradas da avenida.

Não bastasse a perspicácia do achar, Chiriboga também oferece informações históricas ricas em cada legenda. Os monumentos, igrejas, paisagens, vêm acompanhadas de verdadeiros guias culturais retirados de pesquisas minuciosas. Abaixo da imponência da imagem da Igreja do Galo, fotografada do chão, os dizeres: "Construída em 1763 no antigo 'Caminho do Rio de Beber Água', que compreendia as atuais ruas Santo Antônio e da Conceição, na Cidade Alta. De arquitetura barroca, sua torre é encimada por um galo de metal doado pelo capitão-mor Caetano da Silva Sanches, que governou a Província entre os anos de 1791 e 1800. No século 19, abrigou a Companhia de Polícia do Estado e ficou conhecida pela denominação de Santo Antônio dos Militares. Em sua lateral esquerda encontra-se o Museu de Arte Sacra de Natal".

As legendas e o texto de abertura - um resumo apurado da historiografia de Natal - foram escritas por Leila Medeiros Chiriboga. A publicação é em cores, de capa dura, composta por 144 páginas que contêm cerca de 120 fotografias. "Sempre pensando na luz no equilíbrio da composição, no movimento, forma, ângulo, cor, textura, perspectiva e no que euquis mostrar dos lugares fotografados, da forma que melhor expressasse a temática abordada", diz Fernando Chiriboga, já premiado pelo concurso Directv na categoria fotografia e classificado em terceiro lugar no International Photoshop Conference - Concurso Photopro Design.

Natal - Luzes da Cidade remete às noites de outrora, alumbrada por luminárias de quengas de coco, por lampiões de querosene, por lâmpadas de gás acetileno. Natal foi palco de tantos acontecimentos inesquecíveis, protagonizados por personagens eternizados nos anais de sua história... Há quase um século iluminada pela luz elétrica, a "jovem/velha dama", fascinante e encantadora, veste-se com sedutores trajes de gala, exibindo diariamente sua beleza noturna por vezes cortejada pelo luar, cobrindo a todos com sua deslumbrante capa rebordada de luzes. E lá se vão 410 anos de história e luzes...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Poema sangrento




Quando ouve falar que no filme tal há uma cena de tal maneira difícil é comum que o espectador potencial dê as costas e saia do cinema sem nem mesmo haver entrado. Ou seja: sai-se com o típico “obrigado, mas esse filme aí eu não vou ver”. Foi exatamente essa a reação que tive ao ouvir falar de “172 Horas”. E se aconteceu comigo estou cheio de razão para dizer que é justamente este tipo de filme – este que tem uma cena célebre por difícil de ver, engolir e digerir – é exatamente o melhor filme, por tirar o cidadão acomodado na poltrona do conforto estético e artístico que vai lhe recobrinco a percepção com uma camada de cera de opacidade que só o diminui como apreciador do espetáculo do mundo e da vida.

A cena célebre de “172 Horas” todo mundo sabe. E se este não é o seu caso, já vou dizendo que este é aquele filme em que um garoto apreciador de escaladas radicais fica preso numa fenda de rocha e, para sobreviver, precisa cortar o próprio braço com um canivete cego. Sentiu?  Quer parar de ler por aqui? Pare, não. Faça como eu, enfrente o filme e você vai se surpreender.

“172 Horas”, embora não pareça, é (também) entretenimento puro, bem realizado, ágil, meio videoclip no que esta técnica tem de mais instigante, musical, ligeiramente rock and roll na maneira como encara o mundo, um pouco à margem na forma como cultiva seu personagem, um tanto ambíguo no jeito como empacota sua história, apenas sugerindo dados que, descritos em detalhes, poderiam turvar algo que funciona muito melhor assim, com suas imprecisões e impressões distantes.

Mas tem a cena do corte do braço, que você fica o tempo todo imaginando quando e como vai se dar. Acontece que o filme corre de tal maneira macio em sua aspereza geográfica, doce em sua humanidade juvenil, que quando a cena vem o espírito já está preparado. Ela não é nem rápida demais para parecer visualmente indolor, tampouco espetaculosa a ponto de atrair a morbidez das platéias dadas à banalização da violência. É uma cena, como dizer?, artística no que esta palavra tem de mais potente. É longa, sofrida, vivenciada em toda a sua violência estética, mas não ridícula ou gratuitamente traumática. Mas não vou lhe enganar: o uso apuradíssimo dos efeitos sonoras vai fazer você, espectador, sentir a pontada do corte de cada nervo enquanto o garoto se desfaz do braço preso à pedra.

Mas é preciso que seja assim: não há como negligenciar o ponto culminante de um filme que, ao lado de um ato violento inflingido contra a própria pessoa, coloca em cena fundas questões sobre solidão e multidão, natureza e sociedade como este faz usando belíssimos planos de cinema. Usando o entretenimento como matéria para um salto maior, desde que o público do lado de cá esteja disposto a este outro corte que também pode ser bem violento embora de outra espécie. “172 Horas” tem uma cena, como se diz?, chocante, mas, pode acreditar, é um poema visual de natureza pop-metafísica. Para apreciá-lo, portanto, certifique-se de não cortar fora sua percepção.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O filme dos meninos


No ar a primeira das inúmeras realizações da nova companhia cinematográfica com o selo Hamaca de qualidade: é o video "As aventuras de Bernardo e Cecília no país da infância", lançamento da Sopão do Tião Produções. Divirtam-se.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Planaltina, DF



















Um passeio pelo passado, presente, cotidiano e história da cidade que antecedeu Brasília no povoamento do Planalto Central brasileiro.

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Começar o ano lendo um Alex Nascimento, justamente chamado "Um beijo e tchau". Isso é bom; isso é ruim? Isso é o que é - e tcha...